terça-feira, 22 de julho de 2008

Carta de uma professora ao Ministro da Educação.

São Paulo, 16 de julho de 2008
Prezado Sr. Fernando HaddadMinistro da Educação do Brasil
Sou professora da rede estadual de ensino, no Estado de São Paulo. Estou há três décadas no trabalho do ensino. Nunca pedi licença médica e tenho pouquíssimas faltas. Fui casada e tenho um filho, que criei sem pedir pensão para meu marido que, por razões que não vem ao caso, não podia arcar com tal despesa.Senhor Ministro, eu poderia tratá-lo de 'você', pois é bem mais novo que eu, é menino ainda. Mas, dado estar em um cargo do governo, vou usar o 'Sr.', mas isso não implica em um tratamento para 'colocar distância', como os antigos faziam em jornal do interior.Assisti ao programa do Jô Soares, quando de sua entrevista. Vi que uma moça fez uma pergunta ao senhor, sobre filosofia e sociologia no ensino médio. Ela queria saber o que o senhor faria para preparar melhor esses professores. O senhor repetiu as informações que o Jô já havia passado e que está nos jornais, a respeito da lei que colocou a filosofia e a sociologia no currículo da escola média. O senhor não tinha nenhuma proposta para dizer, e não respondeu a pergunta da moça. Fiquei bem decepcionada.O senhor também disse que falta dinheiro para a educação. Como outros que passaram pelo seu cargo, o senhor tratou logo de culpar o passado pela falta de dinheiro. Ou seja, o governo do Presidente Lula não teria responsabilidade sobre o assunto, mesmo já estando em segundo mandato. Os responsáveis seriam os antecessores. Vi sua resposta como uma fuga.Esperava mais, mas nada apareceu na entrevista de novo além do fato de que o senhor tem tempo para fazer aulas de lutas marciais três vezes por semana. E no meio dessa informação, vi também que o senhor se vangloriou por ter conseguido aprovar o piso salarial para os professores – 950 reais para 2009. Nesse caso, penso que a questão das lutas marciais vem a calhar. Por favor, preste atenção.A compra de supermercado que faço para minha casa, para duas pessoas, fica em 200 reais mensais. O aluguel de nosso pequeno apartamento, de apenas dois minúsculos quartos, é de 400 reais. Gasto 150 reais de transporte coletivo no mês. A Internet que temos – como necessidade de trabalho – dá um gasto de 70 reais, e a velocidade é a mais baixa do Speed. Compro livros e, em geral, gasto nisso algo em torno de 50 reais no mês. Tento economizar nisso, mas é impossível na função de professora não comprar livros. Mantenho-me atualizada em cinema, para poder conversar com os jovens para quem dou aulas, e isso leva do meu orçamento mais 40 reais no mês. Meu filho não tem ainda 18 anos, mas trabalha e ajuda em casa, e graças a isso quase conseguimos fechar o mês. Não posso contar com todo o dinheiro dele, pois ele paga escola e condução. Ele dá duro em uma firma de fotocópias, e chega esgotado para ir para a escola. Também chego tarde doserviço, pouco nos vemos. Não é uma vida fácil. Quando ficamos doentes, nosso orçamento estoura – a farmácia é um local que não podemos entrar sem sair de lá com no mínimo uns 50 reais gastos – isso é batata. Felizmente, gozamos de boa saúde.Bem como o senhor pode ver, a soma de meus reduzidíssimos e espartanos gastos é maior do que os 950 reais do piso salarial em determinados meses, e noutros, empata. Até meados de 2009, eu estarei gastando mensalmente mais do que os 950 reais. Mas há algo ainda mais triste. Li que os 950 reais nem são para 2009, na realidade. Pois deverão ser alcançados 'gradativamente', num prazo maior, que poderá chegar até a mais que 2010. Isso é tudo? Não! Há algo mais perverso nessa conversa: as estatísticas governamentais (e só elas) dizem que a maioria dos professores ganha mais do que o piso, e que por isso o senhor está 'rindo à toa' ao aprovar o piso, pois considera 'muito bom' para os professores. Senhor Ministro, há erro nisso. Os professores vão ganhar por 40 horas os 950 reais, e isso não pode ser comemorado, pois a profissão continua sendo desprestigiada com tal salário. Pois em vez do senhor ficar preocupado em comparar o nosso salário com o de outras profissões com igual anos de estudo, o senhor faz comparações regionais que não levam em conta também os gastos de cada um em cada região. Não é verdade que quem está em uma região mais pobre e ganhamenos tem um custo de vida menor do que quem está em São Paulo. Cada local tem especificidades, e no geral, a verdade é que com esse piso a profissão de professor não melhora em nada, pois continua sendo uma profissão que, se a abraçamos inteiramente, não nos dá sustento.Ora, mas se a profissão de professor é para ser 'um bico', como podemos ter outro trabalho se a jornada por 950 reais é de 40 horas? Não posso vir trabalhar em três períodos, pois o 'terceiro turno' eu tenho de fazer no serviço de casa, além de ter de corrigir provas, preparar aulas, estudar, cuidar do meu filho etc. Além disso, a comparação do senhor está errada, por outra razão: quando eu era uma estudante de colégio, meus professores viviam com um salário proporcionalmente maior do que o que tenho hoje, e tinham melhores condições de trabalho. Estudei mais que eles, para ganhar menos. O senhor é mocinho, e tudo indica que veio de família rica. Não sei se entende o que é o Brasil e o que foi o Brasil.Bem, chego então na questão das lutas marciais. Vi que o senhor tem uma barriga. Ainda moço, mas já tem uma barriga. As aulas de luta marcial que faz não estão ajudando, não é? Os ricos sempre comem mais do que podem tirar com a ginástica. Então, minha sugestão, com o devido respeito, é a seguinte: tente fazer a minha vida por apenas um mês, pegando ônibus e enfrentando classes de adolescentes, lecionando seriamente. Volte para a casa e faça a janta. Limpe a casa uma vez na semana. Em um mês, eu garanto, verá que as aulas de luta marcial são ineficientes para tirar a barriga, e que o que eu faço, sim, dará ao senhor um corpo sem malhado. Não sei se dá saúde, mas cansaço físico e mental insuportável, isso dá.Não estou reclamando, minha carta é apenas para mostrar que e o que eu faço talvez até dê mais saúde do que outras profissões. E o senhor poderia participar desse programa, nem que fosse por um pequeno período experimental. É sério, sem demagogia, o senhor deveria experimentar, por um mês, tentar viver com 950 reais dando aula aqui no Estado de São Paulo. Aula no Ensino Médio, em escola pública. Tenho certeza que após tal experiência, o senhor iria se tornar um Ministro da Educação melhor. Agradeço demais por ter lido minha cartinha.Sua admiradora,
Ana Luísa Costa Matos, professora de filosofia da Rede Estadual de São Paulo

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Esse é o Brasil

Infelizmente sinto uma profunda tristeza ao relatar a precária realidade do nosso amado país, como se vocês não soubessem.

Ao perceber que a escola pública e com qualidade se tornou como segundo plano do governo de nosso país, ao qual podemos observar nas vinhetas do governo federal que diz “Brasil um país de todos nós”. Mas será que realmente isso é realidade? Já que as leis servem apenas para as pessoas pobres e sem condições financeiras e habitações dignas, que deveriam surgir através dos nossos “amados” políticos que só aparecem dois em dois anos para ver as nossas necessidades (como se já não soubessem qual era). O engraçado de nossas leis políticas é que um pequeno homem que viveu há aproximadamente 200 anos atrás descreveu que: “O sistema judiciário de é um emaranhado de leis, idênticas a teias de aranhas, aonde vem um pequeno inseto e fica preso, vem outro inseto pequeno e fica preso, mas para surpresa de todos, vem um inseto grande e arromba a teia.”, mas não sei por que, mas isso lembra do nosso sistema judiciário.

Lembram do mensalão? Onde estão os políticos identificados neste roubo? O que diferencia este político de um pai de família que roubou um pão para sustentar seu filho? Ah! Já sei, um roubou por necessidade de sobrevivência, e o outro roubou por necessidade de sobrevivência, mas de sua conta bancária.

E agora se eu cometo um erro, posso ser acusado ou recriminado por causa disso né!? Mas o desgraçado do médico que diagnóstica uma pessoa de forma errada, ou então mutila um ser humano em uma cirurgia plástica, este merece o perdão do conselho de medicina, cambadas de FDP. Isso ocorre por que não foi com o filho deles, pois já diz o ditado “pimenta nós olhos dos outros é refresco, mas no seu arde”.

Mas infelizmente não ocorrem com eles os privilegiados, mas também com os filhos de juizes, políticos, pessoas do grande escalão do nosso “amado” país, aqueles que estão no topo da pirâmide onde detém boa parte das nossas riquezas e são responsáveis por nos empregar, e nossos familiares que precisam de emprego.

Mas até quando vamos fechar nossos olhos e omitir a nossa expressão? Não podemos apenas dizer que temos liberdade de expressão, pois a mídia (e demorou, mas apareceu) influencia para uma parcialidade nas noticias, tentando omitir o que sabemos de co e salteado, pois isso na verdade não existe. Quando nos deparamos com programas que também dizem “ser do povo”, servem para mostrar uma realidade e em cima dela, ganhar ibope, com se não soubéssemos tudo isso que ocorre bem debaixo de nossos narizes.

Que pena, somos omissos medrosos, e nos escondemos da verdade ao invés de lutarmos para tentar mudar esta realidade. Enxergamos essa realidade, mas nada fazemos para mudar. Vimos os desgraçados e FDP nos roubar e mesmo assim votamos neles, um inocente sendo preso enquanto o culpado esta a solta. Estamos aprisionados em um sistema que diz “vocês não tem direito a nada, somente deveres”, ai lembro de quando eu era criança e brincava “boca de forno, forno. –faz o que eu mando? Se não fizer? – Toma bolo”. Trocando em miúdos ou você faz o que o sistema determina, ou punimos você.
Então é simples vivemos dentro de um aquário, e temos medo de quebrar o vidro. Pois ao quebrá-lo se não tivermos condições de respirar o oxigênio então morreremos. Temos o poder de fazer tremer toda a terra e abalar toda e qualquer estrutura do nosso país, basta que um auxilie o outro e longe conseguiremos chegar. Como diz a música do Quarteto FLG “o céu é o limite para mim e pra você, a gente só precisa crer”.

Muitas coisas poderiam entrar neste pequeno texto, mas se entrar dificilmente uma ou duas páginas não seria suficiente.

Leia com moderação